Secretaria criou comissão para fazer diagnóstico da situação. Sindicato alerta que há educadores trabalhando doentes em sala de aula.
Santa Catarina está com uma média de 25 pedidos de afastamento de professores por dia letivo na rede estadual. A Secretaria de Estado da Educação criou uma comissão para fazer um diagnóstico da situação e a previsão é terminar o levantamento até o fim de novembro.
São mais de 42.876 mil professores na rede estadual de ensino. E, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina (Sinte/SC), há educadores trabalhando doentes.
“Ele (professor) faz um esforço às vezes até sobre-humano de ir para o trabalho mesmo doente porque ele sabe que tem consequências tanto para a sua profissão quanto para o resultado do seu trabalho”, afirmou o diretor do sindicato Aldoir José Kraemer.
Números
Oficialmente, o governo confirma que atualmente há quase 2,5 mil professores fora da sala de aula. Isso dá 2% dos professores efetivos e 2,75% dos temporários.
Em 2017, foram 6.986 pedidos de afastamento por motivos de saúde, o que resulta em média de 34 por dia letivo. Em 2018, foram 6.201 pedidos, com média de 30 por dia letivo. Até setembro deste ano, foram 3.891, o que dá a média de 25 por dia letivo.
Mesmo com a média caindo, o número é significativo. A Secretaria de Educação diz que os dados contabilizam o número de atestados e não de professores que se afastaram pra tratar a saúde. Isso porque um mesmo educador pode ter se ausentado mais de uma vez. Há três meses uma comissão foi criada justamente pra fazer um diagnóstico mais preciso dessa situação. A previsão é terminar o levantamento até o fim de novembro.
O Estado não tem uma estatística dos motivos que levam aos afastamentos. “Informações que estamos buscando junto à nossa base de dados para que a gente possa conhecer todos esses afastamentos, os motivos que levaram esses profissionais a se afastarem. E, por conta disso, conhecer esse cenário e poder propor ações visando primeiramente resguardar a saúde do professor e, no segundo momento, tentar reduzir esse número de afastamentos”, afirmou o diretor de Gestão de Pessoas da secretaria, Marcos Vieira.
Propostas
A comissão de educação da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) encaminhou em 15 de outubro um pedido para cobrar do governo uma política de promoção da saúde dos trabalhadores em educação, o que ainda não existe em Santa Catarina.
A médica Maikelli Simes, especialista em medicina da família e comunidade, conduziu um projeto para melhorar a qualidade de vida dos educadores diagnosticados com estresse, alteração de sono, ansiedade e sensação de desprazer em estar na sala de aula.
A iniciativa foi financiada pela associação de pais e professores da maior escola pública de Chapecó, no Oeste do estado. Durante um ano, 80 profissionais foram acompanhados por uma equipe de médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e enfermeiros.
“A gente teve resultados, num curto prazo, melhora do bem-estar dos professores, melhora do vínculo entre os alunos e os professores, melhora do vínculo com a equipe que estava lá e a gente também viu melhora da vida desses profissionais anos depois”, disse a médica.